quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Não dá para aguentar mais! Vou contar-te:


Lembras-te do sorriso rasgado que o sol esboçava a cada girar da roda? Lembras-te dos meus olhos timidamente fixados nos teus, a suplicarem que me olhasses e mo dissesses, quando a voz insistia que desviasses o olhar? Lembras-te das minhas mãos suadas, trémulas e inseguras a segurar as tuas, e do largar profundo que sacudia a saudade e fazia renascer em mim a esperança de uma próxima vez ? Lembras-te da música que nos tocava com as suas asas, e dos minutos mornos em que olhavamos na mesma direcção, como um só, a chamar por ela?
Não quero que me ligues ou mandes uma mensagem confusa e indecisa, quando leres isto. Não quero sequer que faças um comentário enorme e inseguro, que me deixes de olhar, de chamar a música comigo, ou de me dar a mão. Quero que me continues a abraçar todos os dias. Quero poder continuar a sentir a luz dos teus olhos, o cheiro do teu cabelo, todas as manhãs solitárias, sem excepção. Quero que me digas tudo o que preciso de ouvir, e que me continues a dar todos os motivos e mais algum para que continue "preso" a ti, para sempre. E é ao som da chuva que hás-de ouvir o que os poetas escrevem, mas não murmuram. É ao ritmo da intermitência das luzes que vais segurar a utopia na palma das tuas mãos. E é à luz dos meus olhos, os que outrora eram incapazes de fixar os teus por breves instantes, que vais finalmente sentir o que me dilacera como fogo, presente, contigo.


Com carinho,
à Ana Queiroga.

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