segunda-feira, 29 de setembro de 2008

talvez não.


Foi no dia em que os sinos dobraram à luz tremeluzente do alívio, que senti, por fim, o abandono deste leque de ressentimentos. Desenhei teclas partidas, risquei partituras rasgadas, e pintei notas desafinadas em tons berrantes e exaustivos. Acabou. Rasguei tudo e coloquei, sem pudor, na memória vaga do baú. Abrira-se então, de par em par, um corredor estreito, quente e embalado pelo som de um 'Nocturno' nunca antes composto. Por que raio me havias de assaltar novamente a alma, o pensamento, e toda a minha silhueta disforme que sufocava de encontro às paredes nuas do corredor? As respostas tranformavam-se em pergunta, liam-se da esquerda para a direita, e precediam um símbolo que me pareceu uma clave de sol altiva mas incoerente.



Teria eu de atravessar todo o que corredor que me gritava o teu "Não" glaciar, a fim de descortinar o findar da agonia!?



Era cruel. Era injusto. Era terrível.



Ou talvez fosse o preço a pagar por reflectir sonhos em cada íris dos meus olhos.

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