(Ao som de: Nocturne no. 3, op. 15 in G - Fréderic Chopin)

Lembro-me vagamente - lá fora e ali, uma sequência de tons mais altos ao relento - de me teres falado num livro qualquer que andavas a escrevinhar. Mostraste-me uns quantos guardanapos de papel amarrotados e espalhados pela tua mala, e um caderno de argolas bolorentas e esguias. Guardaste as mortalhas, acendeste o dito e começaste a traçar frases soltas que me ias atirando de chofre. Não me recordo do que trazias vestido - parecias-me despida de fobias - mas falavas-me da tua história com um orgulho e uma sensatez que me fizeram deixar o telescópio e a clarabóia e me sentaram hipnotisado na almofada mais atenta.

Íamos ali muitas vezes para observar o céu e falar sobre Literatura e Música. Todavia, a grandiosidade daquelas noites não encenava aquele sótão estéril, húmido e mergulhado na podridão. As janelas faziam daquele o refúgio que sempre procurámos.
(...)

Não sei quanto tempo passou. Não sei quantos mais cigarros fumaste naquela noite. Recordo ainda e apenas que te pedi para colocares uma capa de couro naquilo. O preciosismo daquelas folhas merecia um muro bem alto.

Íamos ali muitas vezes para observar o céu e falar sobre Literatura e Música. Todavia, a grandiosidade daquelas noites não encenava aquele sótão estéril, húmido e mergulhado na podridão. As janelas faziam daquele o refúgio que sempre procurámos.
(...)

Não sei quanto tempo passou. Não sei quantos mais cigarros fumaste naquela noite. Recordo ainda e apenas que te pedi para colocares uma capa de couro naquilo. O preciosismo daquelas folhas merecia um muro bem alto.
(Ricardo Leitão)
8 comentários:
Escreves maravilhosamente! Vou passar a visitar o teu cantinho, se puder ser :P
Parabéns:)
Um beijinho:)*
O meu coração bate a mil por ler o que escreves.
Eu estou sem palavras.
A isto eu chamo refinar a realidade... A isto eu chamo ficção.
Uma coisa podes considerar certa, quando eu decidir que devo ter uma dessas capas que me falas, o prefácio é teu. Não só porque és muito importante, mas porque te adoro como escritor.
Como escritor e como amigo.
Eu adoro-te!
"Uma única palavra significaria um mar de lágrimas (...)" - isto é o que tu me fazes meu Riks!
Tenho algo importante a dizer...
Refina a realidade e vem trabalhar nas reacções comigo! É um convite verdadeiro.
(se não entenderes, lê o meu texto)
Adoro ler-te Ricardo! Nunca comento porque nunca encontro nada de jeito para dizer. :/ Desculpa...
Tenho em mente uma coisinha para ti! :b ihih!
É uma boa pergunta e fez muito bem em perguntá-la, na medida em que, eu também não lhe sei responder.
(Já não sei quem foi o otário que disse isto, mas sei que foi nos apanhados! xD)
Não posso dizer... Lalala! :b
Hum... Eu acho que siiim! Mas vais esperar um bocadinho!
Não é nada de especial! :b Foi só uma coisinha que eu me lembrei de fazer...
Vai lá ver o presentinho que deixei para ti... :b
Obrigada! :D
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