"Sete dias. Parei para, pela primeira vez, meter a mão à consciência e ver a triste realidade. Sete dias passados num trapézio sem rede, balanceando o meu corpo ao sabor das viragens de uma alma trémula e trespassada. Abri mão do futuro. Onde estavas Tu, meu Deus, naquele momento cruel? Em que trapézios balanceavas Tu o Teu espírito, aquando daquela hora de infortúnios? Não sei. Vou caminhando lentamente atrávés das folhas de pergaminho bolorentas e carcomidas. Sinto que nada poderá, doravante, saciar a minha sede de ti. Consigo sentir o calor das tuas vestes de encontro às minhas. Consigo sentir o toque dos teus dedos finos e húmidos de êxtase de encontro às minhas mãos. Consigo ver os teus olhos defronte da minha face colhida pela saudade. Porém, o terreno não é suficiente. Pedestal a pedestal, embrenho-me pelas desventuras do tempo. Despi o medo, despi o receio da verdade. Esqueci completamente a dolorosa pega da morte. Hoje, as incertezas naufragaram ao largo da minha praia. Agora sei que nada é em vão, e sei que não tenho medo de morrer. Ausência. Nada colmatará nunca a tua ausência."
15 de Novembro de 2007
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