quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não te abandonarei ao vento, ininterrupto.


Com a chuva submerge a mágoa
Com o vento varre-se a dor.
E a conivência de corpos de aço,
Que choraram outrora o fracasso
Propaga como clamor.

_

As nuvens sombrias alastram e os corpos caem mortiços nos terraços salgados da miséria.
Enjeito cada uma das vozes displicentes que ousaram afogar o meu cérebro num poço vazio.
Não te abandonarei ao vento, ininterrupto.

Ricardo Leitão

5 comentários:

Anónimo disse...

Digo-te, primeiramente, meu mestre, que só a imagem já me provocou enorme arrepio. Arrepio, em parte, daquele provocado pelo vento que "varre a dor" .


Acabaria por ser conveniente que todas as tempestades levassem de arrastão as nossas íntimas tormentas (ou sejam lá o que elas forem). Mas insiste-se sempre em guardar o que de mais ínfimo possa haver para guardar... o suficiente para a boança ficar um pouco desagradável.

(Desculpa o desabafo)

Um abraço do teu sempre irmão,

Lima

Anónimo disse...

*bonança

Janine disse...

Vivemos tempestades,
vivemos acalmias ,
vivemos apatias,
Vivemos saudades.
O que importa não é o que vivemos
Mas sim o quanto viver queremos.

Da Janine para o Ricardo, do Olimpo para o Mar.
Adoro-te*

Anónimo disse...

=)

Fiquei sinceramente surpreendida,pois parece que frequento a escola Secundaria de Penafiel e que não te conhecia, lol. No entanto, posso dizer-te que adorei o Blog e que estás de parabéns!

Não é fácil ver pessoas tão novas e a escrevem tão bem! Deixo aqui apenas a minha marca, pois são também, tal como tu uma apaixonada pela fotografia, pela música e pela arte de escrever.

"Eis o dia em que criança
crescemos e em Adolescentes
pensamos que vivemos, mas
não somos aquilo que pensamos sermos...
Eis a hora do verdadeiro adeus, Outrossim mais feliz, talvez...
Parto, mas sem deixar uma palavra, porque as palavras pesam, já as impressões ardem no coração".
MC *.*

P.S. Florbela Espanca é, realmente, fantástica....

Anónimo disse...

É bom saber que o vento não apagou as boas memórias. E que depois do chão estalar e de teres balanceado nas fendas mais dolorosas, tenhas aberto o coração para o sentimento mais importante.

Sinto-me contente, acredita.
Acredita que me sinto feliz, por saber que, no fundo, desejas não me "abandonar" ao vento, sozinho.

Um abraço forte.
Um gostar de irmão.