"Transformei. Transformei as pedras gastas em lúcidos pontos finais. Abri a gaveta e retirei as fotografias a preto e branco que repousavam placidamente no cólo ebúrneo da solidão. Vislumbrei mil e um olhares displicentes, constatei a saudade de uma vida outrora sentida. Suspirei e pisquei fortemente os olhos, não fosse tratar-se de uma ilusão. Não. Desta vez era diferente. Coloquei o álbum novamente na gaveta, qual mãe colocando o seu rebento numa alcofa, sensível, maravilhada. Não era tarde, pouco passava ainda das duas da madrugada. Lá fora, o Porto fazia-se ouvir pelos uivos assustadores do vento. Senti um arrepio momentâneo e deixei o meu corpo roçar-se com mais frieza do que nunca de encontro ao pêlo do pijama. Porquê!? Porque haviam de arrancar-te de mim? Qual o motivo? Qual a crença? Qual a perfeita imperfeição? Lá fora, o vento continuava a fazer o seu papel. Soprava agora de encontro às janelas do prédio, inútil, desamparado, frio, só."
Ricardo Leitão ( dia 5, Fevereiro de 2008 )
1 comentário:
"Em frente o muro agora resplandecia,não jorrava mais lodo e podridão que o néon teimava empurrar ,mas agora este transmitia o seu verdadeiro brilho e como uma chuva de Verão,esta parou, e mesmo na escuridão daquela rua ela viu a sua nova verdade..….tinha andado perdida mas agora retornaria ao ponto de partida e abriria as suas janelas em direcção aos néons que agora reflectiam um novo brilho…o brilho do recomeço,o brilho do lado belo de si mesma que a cidade lhe oferecia.Agora, sabia o que fazer e como um acordar de um sonho,esta voltou ao seu mundo , arregaçou as mangas da vontade e foi ao encontro daquele néon que lhe oferecia um novo brilho..." Gostei muito deste teu texto e respondi com este pequeno trecho de um meu.Nao se compara ao teu mas aqui fica! beijinho
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