r.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
fantasmas
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O silêncio dos fracos
hoje quero deixar
de servir e querer
mostrar o que foi.
hoje quero perder
e deixar de sentir o vento que dói.
o silêncio.
hoje vagueio a direito
e escondo e chamo
repenso o preceito,
ninguém me responde.
mas sei,
que tudo o que dei
marcará, será lei
gritará o meu nome.
o silêncio.
de servir e querer
mostrar o que foi.
hoje quero perder
e deixar de sentir o vento que dói.
o silêncio.
hoje vagueio a direito
e escondo e chamo
repenso o preceito,
ninguém me responde.
mas sei,
que tudo o que dei
marcará, será lei
gritará o meu nome.
o silêncio.
r.
domingo, 1 de agosto de 2010
rumo à velha Europa
Estou de partida:
-não sei para onde, por quanto tempo, em que circunstâncias.
Acredito piamente que há um caminho a percorrer e um sem número de encruzilhadas que pretendo tatuar no que sou. Preciso de um tempo para repensar. Sinto que o mundo já esteve mais longe do precipício e que continua com as mãos nos bolsos, a assobiar e a caminhar a passo de caracol. Eu não quero fugir do abismo - apenas quero garantir que a minha alma não cai com o meu corpo. Para trás deixo muito.
-não sei para onde, por quanto tempo, em que circunstâncias.
Acredito piamente que há um caminho a percorrer e um sem número de encruzilhadas que pretendo tatuar no que sou. Preciso de um tempo para repensar. Sinto que o mundo já esteve mais longe do precipício e que continua com as mãos nos bolsos, a assobiar e a caminhar a passo de caracol. Eu não quero fugir do abismo - apenas quero garantir que a minha alma não cai com o meu corpo. Para trás deixo muito.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Outro dia sem nome
gritam os séculos.
Há vozes no fundo sombrio das fontes,
ouvem-se ecos de mil segredos.
Sentem-se beijos
perdidos em clausura,
suspiros cravados no ventre de botões de rosa.
Jazem preces nas pedras gélidas
erguidas em ascese,
imunes à podridão dos dias,
imunes à paixão intacta de Pedro e Inês.
A aurora desponta:
o silêncio da noite é abraçado
pelo sol de um outro dia sem nome.
Há vozes no fundo sombrio das fontes,
ouvem-se ecos de mil segredos.
Sentem-se beijos
perdidos em clausura,
suspiros cravados no ventre de botões de rosa.
Jazem preces nas pedras gélidas
erguidas em ascese,
imunes à podridão dos dias,
imunes à paixão intacta de Pedro e Inês.
A aurora desponta:
o silêncio da noite é abraçado
pelo sol de um outro dia sem nome.
(dedicado ao Mestre Arq. Manuel Botelho,
que me suportou um ano de utopias. )
Ricardo Leitão
que me suportou um ano de utopias. )
Ricardo Leitão
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Cheira intensamente a solidão
O relógio marca catorze e quarenta e dois. O sol torra a mioleira numa qualquer viela sem nome, nos confins de Tomar. Ao fundo, um tal de "Calça Perra" figura como restaurante onde as noites de fado custam "22 guitarradas". Por aqui há dois tipos de pessoas: os que petiscam em refinadas esplanadas e desembolsam uma dúzia de guitarradas e nós. Muito mais alternativo alapar a seira na calçada portuguesa, encostar num muro 'random' e dividir a refeição feliz comprada no supermercado por meia dúzia de coroas com o gato de bigodes curiosos.
O sol rasga a rua e redesenha sombras esguias nas paredes caiadas de branco. Lá ao fundo, um qualquer velho do restelo, alheio ao mundo e aos trinta e poucos graus, à espera do que não volta. Cheira intensamente a solidão.
O sol rasga a rua e redesenha sombras esguias nas paredes caiadas de branco. Lá ao fundo, um qualquer velho do restelo, alheio ao mundo e aos trinta e poucos graus, à espera do que não volta. Cheira intensamente a solidão.
(ali sentado em Tomar, ao som de Joy Division)
terça-feira, 1 de junho de 2010
Unha e carne
Consigo ainda ver-me contigo, naquele preto e branco da mente.
Consigo fechar os olhos e ver-nos mutilar ervas daninhas no quinteiro. Consigo soletrar-nos a brincar com gatos recém-nascidos, a tomar banho em tanques de água gelada e a assaltar o frigorífico e beber leite do pacote, a meio da noite. Consigo cheirar o teu cabelo, que todas as noites fazia questão de sentir na palma das mãos e por vezes até atei aos meus dedos, para ter a certeza que não dormia sozinho. Consigo ver-te abraçar o coelho que eu era, num qualquer Carnaval em que tu eras uma Pocahontas com duas penas de galinha presas à cabeça com um elástico. Consigo distinguir claramente o azul pálido da BMW putrefacta na qual me ensinaste a cavalgar, e ainda mais nítidas estão as esfoladelas nos joelhos que tão ternamente desinfectaste e agora são cicatrizes orgulhosas. Consigo ouvir o som das montanhas russas e do 'tararara-pum!' que o avô dançou em Paris, antes de lançar grande tira de presunto à cabeça de um avec. Consigo sentir a chuva que nos fustigou a pele tostada por mil verões e nos pôs de cama, lado a lado a receber tratamento de reis e leite quente com mel (lembras-te que odiava as natas que boiavam à superfície?)
Consigo desenhar perfeitamente as linhas do piano que tiveste naquele Natal e as sombras da minha cara de enfado ao ver aquele mota de brincar que nem trazia pilhas! Consigo contar pelos dedos (das mãos e dos pés) todas as viagens de família em que levava um penico azul bebé na mala do carro e em que íamos o caminho todo a cantar a mesma música, que o pai rebobinava pacientemente até chegar a plaquinha branca e as letras pretas que nos soavam ainda a desenhos esquisitos, anunciando uma resma de curvas e contra-curvas. Lembras-te do jogo que fazíamos, que metia contar burros e rir às gargalhadas da epidemia a terra quente e a rural? Vejo-nos numa tarde de rio, a fazer de conta que nadavamos de braços bem assentes na areia, e a voltarmos para casa, o tio a resmungar trinta palavrões com sotaque, por não ter pescado nada. Ao jantar a mesma massa mergulhada em manteiga e noites de arraial foleiro e farra, quando só se aproveitava os milhares investidos em fogo, que estourava e fazia tremer as pernas.
Sei que sabes do que falo, quando ouso recordar paixonetas de liceu e CD's dos The Doors a tocar dias a fio, ao som de conversas que ou acabavam com baba e ranho, ou com risota e poucas horas de sono.
Podia desenhar-te mil cenários caricatos, agora atulhados de pontos de fuga e perspectivas bem construídas, mas há coisas que fazem mais sentido nunca serem escritas.
Agora estou aqui, passivo ao que somos.
Tenho uma casa. Tenho a prateleira de sempre, atulhada de livros e revistas de arquitectura. Tenho a varanda com vista para o rio e o "quarto-cubículo" que suporta todas as minhas neuras. Tenho cadernos de esquissos, cadernos de esboços, cadernos de contornos e de aguadas que desconheces. Tenho os planos de viagem traçados a pilot numa folha de processo. Tenho a lista dos países de interrail e panfletos de tendas, panfletos de mochilas, panfletos de tudo e de nada. Tenho o mundo no qual mergulhei, e que estava ali, ao virar da esquina e de braços abertos. Tenho aquela vida sobre a qual falamos numa noite qualquer, em que havia aquela treta da liberdade e de não ter que ir para a cama rezingão só porque o relógio já passava da meia-noite e toda a gente insistia na piada seca do carro virar abóbora. É irónico. Tenho quase tudo o que sempre quis.
Hoje faltas-me tu.Consigo fechar os olhos e ver-nos mutilar ervas daninhas no quinteiro. Consigo soletrar-nos a brincar com gatos recém-nascidos, a tomar banho em tanques de água gelada e a assaltar o frigorífico e beber leite do pacote, a meio da noite. Consigo cheirar o teu cabelo, que todas as noites fazia questão de sentir na palma das mãos e por vezes até atei aos meus dedos, para ter a certeza que não dormia sozinho. Consigo ver-te abraçar o coelho que eu era, num qualquer Carnaval em que tu eras uma Pocahontas com duas penas de galinha presas à cabeça com um elástico. Consigo distinguir claramente o azul pálido da BMW putrefacta na qual me ensinaste a cavalgar, e ainda mais nítidas estão as esfoladelas nos joelhos que tão ternamente desinfectaste e agora são cicatrizes orgulhosas. Consigo ouvir o som das montanhas russas e do 'tararara-pum!' que o avô dançou em Paris, antes de lançar grande tira de presunto à cabeça de um avec. Consigo sentir a chuva que nos fustigou a pele tostada por mil verões e nos pôs de cama, lado a lado a receber tratamento de reis e leite quente com mel (lembras-te que odiava as natas que boiavam à superfície?)
Consigo desenhar perfeitamente as linhas do piano que tiveste naquele Natal e as sombras da minha cara de enfado ao ver aquele mota de brincar que nem trazia pilhas! Consigo contar pelos dedos (das mãos e dos pés) todas as viagens de família em que levava um penico azul bebé na mala do carro e em que íamos o caminho todo a cantar a mesma música, que o pai rebobinava pacientemente até chegar a plaquinha branca e as letras pretas que nos soavam ainda a desenhos esquisitos, anunciando uma resma de curvas e contra-curvas. Lembras-te do jogo que fazíamos, que metia contar burros e rir às gargalhadas da epidemia a terra quente e a rural? Vejo-nos numa tarde de rio, a fazer de conta que nadavamos de braços bem assentes na areia, e a voltarmos para casa, o tio a resmungar trinta palavrões com sotaque, por não ter pescado nada. Ao jantar a mesma massa mergulhada em manteiga e noites de arraial foleiro e farra, quando só se aproveitava os milhares investidos em fogo, que estourava e fazia tremer as pernas.
Sei que sabes do que falo, quando ouso recordar paixonetas de liceu e CD's dos The Doors a tocar dias a fio, ao som de conversas que ou acabavam com baba e ranho, ou com risota e poucas horas de sono.
Podia desenhar-te mil cenários caricatos, agora atulhados de pontos de fuga e perspectivas bem construídas, mas há coisas que fazem mais sentido nunca serem escritas.
Agora estou aqui, passivo ao que somos.
Tenho uma casa. Tenho a prateleira de sempre, atulhada de livros e revistas de arquitectura. Tenho a varanda com vista para o rio e o "quarto-cubículo" que suporta todas as minhas neuras. Tenho cadernos de esquissos, cadernos de esboços, cadernos de contornos e de aguadas que desconheces. Tenho os planos de viagem traçados a pilot numa folha de processo. Tenho a lista dos países de interrail e panfletos de tendas, panfletos de mochilas, panfletos de tudo e de nada. Tenho o mundo no qual mergulhei, e que estava ali, ao virar da esquina e de braços abertos. Tenho aquela vida sobre a qual falamos numa noite qualquer, em que havia aquela treta da liberdade e de não ter que ir para a cama rezingão só porque o relógio já passava da meia-noite e toda a gente insistia na piada seca do carro virar abóbora. É irónico. Tenho quase tudo o que sempre quis.
Tu e o teu abraço de irmã mais velha.
Para a minha irmã,
Ricardo
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
A noite em que partiste
A noite em que partiste caiu estilhaçada de encontro a um qualquer muro de lamentações. Senti-te fugir, qual papagaio de papel pleno de sentidos, emotivo ao sabor do vento. Não proferiste uma única palavra. Olhaste-me nos olhos, sufocaste-me num abraço e bateste com a porta, rumo à certeza do incerto.(Ricardo Leitão)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
O tempo corta, como lâminas.
A noite cai, parcimoniosamente
Suspensa, sombria, severa.
O pecado crepitante no vazio
Petrifica o mármore austero
Devasta a raiz da idade
Como rio de sangue envenenado
Pela sombra.
E é de ouro
O silêncio côncavo que me inunda.
Suspensa, sombria, severa.
O pecado crepitante no vazio
Petrifica o mármore austero
Devasta a raiz da idade
Como rio de sangue envenenado
Pela sombra.
E é de ouro
O silêncio côncavo que me inunda.
(Ricardo Leitão)
domingo, 7 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Peso
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O som
O som acolhe e embala.
O som lamenta e anseia.
O som brilha e transfigura.
Há som. Há som por toda a parte!
O som lamenta e anseia.
O som brilha e transfigura.
Há som. Há som por toda a parte!
(Ricardo Leitão)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Hoje escrevo para ti.
Hoje escrevo para ti, que me pões a alma em alvoroço e me prendes ao papel e à vicissitude dos dias.
Eu acredito, e um dia mostro-te o porquê de ser verdade.
Até lá, não hesites - FÁ-LO.
Sede de ver o intocável
Debruçado na calmia do abismo fortuito
E sombrio na clarividência do pensar.
Debruçado na calmia do abismo fortuito
E sombrio na clarividência do pensar.
Eu acredito, e um dia mostro-te o porquê de ser verdade.
Até lá, não hesites - FÁ-LO.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Escuro e luar.
A ponte da Arrábida ri-se de mim.
Sou eu e ela, abraçados, de olhos vendados, doentios na fuga ao bréu dos candelabros.
(...)
Há café e solidão, um piso abaixo.
Sou eu e ela, abraçados, de olhos vendados, doentios na fuga ao bréu dos candelabros.
(...)
Há café e solidão, um piso abaixo.
(Ricardo Leitão)
domingo, 18 de outubro de 2009
Cai cristal, desamparado.
Não há estrelas apagadas, não há céus esquecidos.
Não há ciprestes derrubados, nem temores vencidos.
E subsiste o desencanto ensanguentado da névoa imensa e triste e vendada e sedenta
que paira sobre a maré vaza do acaso, que paira sobre a sentença inútil do destino.
Não há ciprestes derrubados, nem temores vencidos.
E subsiste o desencanto ensanguentado da névoa imensa e triste e vendada e sedenta
que paira sobre a maré vaza do acaso, que paira sobre a sentença inútil do destino.
Só há vagas certezas do incerto, murmuradas ali ao fundo.
(Ricardo Leitão)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
FAUP - Sintomas de que estudas arquitectura:

1. Conheces o sabor do k-line e da madeira balsa.
2. Perguntam-te constantemente “Que cara é essa?”.
3. Mudaste o teu vocabulário: trabalho por entrega, bola por esfera, gente por utilizadores e olá por “O que foi agora?”
4. Não entendes como se pode gastar menos de 10 € numa livraria
5. Odeias que os teus pais digam: “Vai dormir agora” ou “Se de todas as formas não vais terminar…vai para a cama já”; ou mesmo se a simples pergunta “Falta-te muito” te pode chegar a irritar.
6. Estás farto de ouvir dizerem: “Eu queria ser arquitecto…era esse o meu sonho…mas, …”.
7. Os teus amigos têm um conceito de TRABALHO diferente do teu, dizem sempre: “Fazes antes da Aula”, ou “Pedes a alguém…” ou ainda "Não o faças”.
8. Dormiste mais de 20 horas seguidas no fim-de-semana?
9. Podes discutir com legitimidade a quantidade de cafeína de diferentes bebidas e sua respectiva eficácia.
10. Não importa o quanto te esforces para fazeres o teu melhor projecto, alguém [normalmente o professor] dir-te-á sempre "Porque não mudas isto ou porque não pões aquilo?” ou “Vais pelo bom caminho mas ainda te falta…” ou mesmo "tens dedicar mais tempo a isto..."??????
11. Ouviste todos os teus CD's e mp3 em menos de 48horas.
12. Não és visto em público sem olheiras.
13. Quando te fazem um convite, acrescentam: “…, ou tens entrega?”
14. És capaz de reutilizar o impensável para fazer uma maqueta.
15. Dançaste a música mais foleira com coreografia e tudo às 4 da manhã sem uma única gota de álcool no teu organismo.
16. Arranjas constantemente desculpas para explicar aos teus professores que não os de desenho [projecto no nosso caso], o porquê de não fazeres os exercícios.
17. Tens mais fotografias de paisagens e elementos para utilizar em um desenho que de toda a tua família.
18. Se alguém te diz: “Preguiçoso”, “Tens um curso super relaxado” ou“não é o mais difícil dos cursos”; quiseste assassinar essa pessoa.
19. Os teus pesadelos consistem em não chegar a tempo ou não terminar algo para uma entrega.
20. Podes viver sem contacto humano, luz e comida mas se não podes pontapear algo, é o caos total
21. Os teus pais têm medo de usar palavras como “bonito” ou “feio”.
22. Não te importas com os carros desportivos. O teu favorito é o que puder levar a maior das maquetas.
23. Desenhas coisas espectaculares sem teres ideia do seu custo.
24. Tens a marca do arquitecto: um calo no dedo em que apoias o lápis.
25. Consegues dormir em qualquer superfície, seja ela, um teclado, uma mochila, os teus colegas, no chão,
comida,…
26. Estavas acordado em milhares de amanheceres mas não assististe a nem um.
27. Cada vez que aprendes a trabalhar num novo programa de desenho sentes-te super actualizado, no entanto cedo te dás conta de que existem mais 1000 programas.
28. Quando por fim tens tempo para sair os teus pensamentos são: “Que mal colocados estão as casas de banho da discoteca”, “este não é o melhor lugar para a saída de emergência” ou “as escadas são…”.
29. Uma das escovas de dentes que tens na tua casa de banho é a do teu colega de entregas.
30. Identificaste-te com tudo isto.
2. Perguntam-te constantemente “Que cara é essa?”.
3. Mudaste o teu vocabulário: trabalho por entrega, bola por esfera, gente por utilizadores e olá por “O que foi agora?”
4. Não entendes como se pode gastar menos de 10 € numa livraria
5. Odeias que os teus pais digam: “Vai dormir agora” ou “Se de todas as formas não vais terminar…vai para a cama já”; ou mesmo se a simples pergunta “Falta-te muito” te pode chegar a irritar.
6. Estás farto de ouvir dizerem: “Eu queria ser arquitecto…era esse o meu sonho…mas, …”.
7. Os teus amigos têm um conceito de TRABALHO diferente do teu, dizem sempre: “Fazes antes da Aula”, ou “Pedes a alguém…” ou ainda "Não o faças”.
8. Dormiste mais de 20 horas seguidas no fim-de-semana?
9. Podes discutir com legitimidade a quantidade de cafeína de diferentes bebidas e sua respectiva eficácia.
10. Não importa o quanto te esforces para fazeres o teu melhor projecto, alguém [normalmente o professor] dir-te-á sempre "Porque não mudas isto ou porque não pões aquilo?” ou “Vais pelo bom caminho mas ainda te falta…” ou mesmo "tens dedicar mais tempo a isto..."??????
11. Ouviste todos os teus CD's e mp3 em menos de 48horas.
12. Não és visto em público sem olheiras.
13. Quando te fazem um convite, acrescentam: “…, ou tens entrega?”
14. És capaz de reutilizar o impensável para fazer uma maqueta.
15. Dançaste a música mais foleira com coreografia e tudo às 4 da manhã sem uma única gota de álcool no teu organismo.
16. Arranjas constantemente desculpas para explicar aos teus professores que não os de desenho [projecto no nosso caso], o porquê de não fazeres os exercícios.
17. Tens mais fotografias de paisagens e elementos para utilizar em um desenho que de toda a tua família.
18. Se alguém te diz: “Preguiçoso”, “Tens um curso super relaxado” ou“não é o mais difícil dos cursos”; quiseste assassinar essa pessoa.
19. Os teus pesadelos consistem em não chegar a tempo ou não terminar algo para uma entrega.
20. Podes viver sem contacto humano, luz e comida mas se não podes pontapear algo, é o caos total
21. Os teus pais têm medo de usar palavras como “bonito” ou “feio”.
22. Não te importas com os carros desportivos. O teu favorito é o que puder levar a maior das maquetas.
23. Desenhas coisas espectaculares sem teres ideia do seu custo.
24. Tens a marca do arquitecto: um calo no dedo em que apoias o lápis.
25. Consegues dormir em qualquer superfície, seja ela, um teclado, uma mochila, os teus colegas, no chão,
comida,…
26. Estavas acordado em milhares de amanheceres mas não assististe a nem um.
27. Cada vez que aprendes a trabalhar num novo programa de desenho sentes-te super actualizado, no entanto cedo te dás conta de que existem mais 1000 programas.
28. Quando por fim tens tempo para sair os teus pensamentos são: “Que mal colocados estão as casas de banho da discoteca”, “este não é o melhor lugar para a saída de emergência” ou “as escadas são…”.
29. Uma das escovas de dentes que tens na tua casa de banho é a do teu colega de entregas.
30. Identificaste-te com tudo isto.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
Dissonâncias
Oh, irrefutável sentimento!
Oh, vil fúria do destino!
Fosse a saudade caravela,
Fosse a solidão porto seguro,
Abarcar-me-ia, sentinela
No poço vazio do silêncio,
Na falsa e vaga gota do futuro.
Oh, vil fúria do destino!
Fosse a saudade caravela,
Fosse a solidão porto seguro,
Abarcar-me-ia, sentinela
No poço vazio do silêncio,
Na falsa e vaga gota do futuro.
(Ricardo Leitão)
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Prólogo Anunciado
Eram os teus olhos que eu procurava no meio da multidão. Eram os teus passos, ainda, que eu ouvia abafados de encontro aos reflexos fulminantes da grande pirâmide invertida. Era a tua voz que eu continuava a ouvir ao ritmo da chuva, lenta e denunciada, a fazer prever todo um ambiente de catedral gótica no seu expoente de fúria. Hoje quero olhar pela janela e ver traços intermitentes que me desviem a vista cansada para os Pirinéus. Hoje quero deixar para trás a "ocidental praia lusitana" que me viu nascer e me vê partir com olhos raiados de sangue, suor e saudade.
A noite geme derrotada, e dá à luz o último queixume.
E o meu legado resume-se à promiscuidade dos dias, rasos.
A noite geme derrotada, e dá à luz o último queixume.
E o meu legado resume-se à promiscuidade dos dias, rasos.
(Ricardo Leitão)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Noites de sótão
(Ao som de: Nocturne no. 3, op. 15 in G - Fréderic Chopin)

Lembro-me vagamente - lá fora e ali, uma sequência de tons mais altos ao relento - de me teres falado num livro qualquer que andavas a escrevinhar. Mostraste-me uns quantos guardanapos de papel amarrotados e espalhados pela tua mala, e um caderno de argolas bolorentas e esguias. Guardaste as mortalhas, acendeste o dito e começaste a traçar frases soltas que me ias atirando de chofre. Não me recordo do que trazias vestido - parecias-me despida de fobias - mas falavas-me da tua história com um orgulho e uma sensatez que me fizeram deixar o telescópio e a clarabóia e me sentaram hipnotisado na almofada mais atenta.

Íamos ali muitas vezes para observar o céu e falar sobre Literatura e Música. Todavia, a grandiosidade daquelas noites não encenava aquele sótão estéril, húmido e mergulhado na podridão. As janelas faziam daquele o refúgio que sempre procurámos.
(...)

Não sei quanto tempo passou. Não sei quantos mais cigarros fumaste naquela noite. Recordo ainda e apenas que te pedi para colocares uma capa de couro naquilo. O preciosismo daquelas folhas merecia um muro bem alto.

Íamos ali muitas vezes para observar o céu e falar sobre Literatura e Música. Todavia, a grandiosidade daquelas noites não encenava aquele sótão estéril, húmido e mergulhado na podridão. As janelas faziam daquele o refúgio que sempre procurámos.
(...)

Não sei quanto tempo passou. Não sei quantos mais cigarros fumaste naquela noite. Recordo ainda e apenas que te pedi para colocares uma capa de couro naquilo. O preciosismo daquelas folhas merecia um muro bem alto.
(Ricardo Leitão)
sábado, 8 de agosto de 2009
Areia, por entre os dedos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Vestígios de ti.
Tu queimas-me.Tu prendes-me num sufoco e incitas-me a renunciar.
Pára! Não faz parte da minha natureza perder as estribeiras e ceder no final de cada compasso.
Pára! Não faz parte da minha natureza perder as estribeiras e ceder no final de cada compasso.
Quero olhar-te, mas não te quero ver.
Quero tocar-te, mas não te quero sentir.
Quero ouvir-te sem me questionar se és tu.
Perdoa-me. Eu cresci a ver-te colher lírios brancos, junto ao rio.
(Ricardo Leitão)
quarta-feira, 29 de julho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Alguém viu a minha silhueta por aí !?
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