segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tatuagens

[18.03.2009] Mana.

Não quero parar o tempo.
Só quero voltar atrás e voltar a deixar fluir, lentamente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

FAUP - Sintomas de que estudas arquitectura:


1. Conheces o sabor do k-line e da madeira balsa.

2. Perguntam-te constantemente “Que cara é essa?”.

3. Mudaste o teu vocabulário: trabalho por entrega, bola por esfera, gente por utilizadores e olá por “O que foi agora?”

4. Não entendes como se pode gastar menos de 10 € numa livraria

5. Odeias que os teus pais digam: “Vai dormir agora” ou “Se de todas as formas não vais terminar…vai para a cama já”; ou mesmo se a simples pergunta “Falta-te muito” te pode chegar a irritar.

6. Estás farto de ouvir dizerem: “Eu queria ser arquitecto…era esse o meu sonho…mas, …”.

7. Os teus amigos têm um conceito de TRABALHO diferente do teu, dizem sempre: “Fazes antes da Aula”, ou “Pedes a alguém…” ou ainda "Não o faças”.

8. Dormiste mais de 20 horas seguidas no fim-de-semana?

9. Podes discutir com legitimidade a quantidade de cafeína de diferentes bebidas e sua respectiva eficácia.

10. Não importa o quanto te esforces para fazeres o teu melhor projecto, alguém [normalmente o professor] dir-te-á sempre "Porque não mudas isto ou porque não pões aquilo?” ou “Vais pelo bom caminho mas ainda te falta…” ou mesmo "tens dedicar mais tempo a isto..."??????

11. Ouviste todos os teus CD's e mp3 em menos de 48horas.

12. Não és visto em público sem olheiras.

13. Quando te fazem um convite, acrescentam: “…, ou tens entrega?”

14. És capaz de reutilizar o impensável para fazer uma maqueta.

15. Dançaste a música mais foleira com coreografia e tudo às 4 da manhã sem uma única gota de álcool no teu organismo.

16. Arranjas constantemente desculpas para explicar aos teus professores que não os de desenho [projecto no nosso caso], o porquê de não fazeres os exercícios.

17. Tens mais fotografias de paisagens e elementos para utilizar em um desenho que de toda a tua família.

18. Se alguém te diz: “Preguiçoso”, “Tens um curso super relaxado” ou“não é o mais difícil dos cursos”; quiseste assassinar essa pessoa.

19. Os teus pesadelos consistem em não chegar a tempo ou não terminar algo para uma entrega.

20. Podes viver sem contacto humano, luz e comida mas se não podes pontapear algo, é o caos total

21. Os teus pais têm medo de usar palavras como “bonito” ou “feio”.

22. Não te importas com os carros desportivos. O teu favorito é o que puder levar a maior das maquetas.

23. Desenhas coisas espectaculares sem teres ideia do seu custo.

24. Tens a marca do arquitecto: um calo no dedo em que apoias o lápis.

25. Consegues dormir em qualquer superfície, seja ela, um teclado, uma mochila, os teus colegas, no chão,
comida,…

26. Estavas acordado em milhares de amanheceres mas não assististe a nem um.

27. Cada vez que aprendes a trabalhar num novo programa de desenho sentes-te super actualizado, no entanto cedo te dás conta de que existem mais 1000 programas.

28. Quando por fim tens tempo para sair os teus pensamentos são: “Que mal colocados estão as casas de banho da discoteca”, “este não é o melhor lugar para a saída de emergência” ou “as escadas são…”.

29. Uma das escovas de dentes que tens na tua casa de banho é a do teu colega de entregas.

30. Identificaste-te com tudo isto.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Agora que parto (...)


(Melodia, Julho de 2009)


Eu continuo a procurar-te por entre o terror da sentença.


sábado, 12 de setembro de 2009

Dissonâncias

(12set - FAUP !?)


Oh, irrefutável sentimento!
Oh, vil fúria do destino!

Fosse a saudade caravela,
Fosse a solidão porto seguro,
Abarcar-me-ia, sentinela
No poço vazio do silêncio,
Na falsa e vaga gota do futuro.


(Ricardo Leitão)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Prólogo Anunciado

(Louvre, Paris - entre 1830 & 2008 )


Eram os teus olhos que eu procurava no meio da multidão. Eram os teus passos, ainda, que eu ouvia abafados de encontro aos reflexos fulminantes da grande pirâmide invertida. Era a tua voz que eu continuava a ouvir ao ritmo da chuva, lenta e denunciada, a fazer prever todo um ambiente de catedral gótica no seu expoente de fúria. Hoje quero olhar pela janela e ver traços intermitentes que me desviem a vista cansada para os Pirinéus. Hoje quero deixar para trás a "ocidental praia lusitana" que me viu nascer e me vê partir com olhos raiados de sangue, suor e saudade.

A noite geme derrotada, e dá à luz o último queixume.
E o meu legado resume-se à promiscuidade dos dias, rasos.



(Ricardo Leitão)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Noites de sótão

(Ao som de: Nocturne no. 3, op. 15 in G - Fréderic Chopin)


Lembro-me vagamente - lá fora e ali, uma sequência de tons mais altos ao relento - de me teres falado num livro qualquer que andavas a escrevinhar. Mostraste-me uns quantos guardanapos de papel amarrotados e espalhados pela tua mala, e um caderno de argolas bolorentas e esguias. Guardaste as mortalhas, acendeste o dito e começaste a traçar frases soltas que me ias atirando de chofre. Não me recordo do que trazias vestido - parecias-me despida de fobias - mas falavas-me da tua história com um orgulho e uma sensatez que me fizeram deixar o telescópio e a clarabóia e me sentaram hipnotisado na almofada mais atenta.


Íamos ali muitas vezes para observar o céu e falar sobre Literatura e Música. Todavia, a grandiosidade daquelas noites não encenava aquele sótão estéril, húmido e mergulhado na podridão. As janelas faziam daquele o refúgio que sempre procurámos.

(...)


Não sei quanto tempo passou. Não sei quantos mais cigarros fumaste naquela noite. Recordo ainda e apenas que te pedi para colocares uma capa de couro naquilo. O preciosismo daquelas folhas merecia um muro bem alto.

(Ricardo Leitão)

sábado, 8 de agosto de 2009

Areia, por entre os dedos.



A noite tombra, fraca. Os grilos cantam histórias.
O Alentejo esvaece as estrelas do seu céu, ao som de Liszt.

_____________________

Vejo planícies de ninguém, mergulhadas na penumbra da terra árida.
E tu escapas como areia. Areia, por entre os dedos.


(Ricardo Leitão)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Vestígios de ti.

(music box)


Tu queimas-me.Tu prendes-me num sufoco e incitas-me a renunciar.
Pára! Não faz parte da minha natureza perder as estribeiras e ceder no final de cada compasso.


Quero olhar-te, mas não te quero ver.
Quero tocar-te, mas não te quero sentir.
Quero ouvir-te sem me questionar se és tu.


Perdoa-me. Eu cresci a ver-te colher lírios brancos, junto ao rio.

(Ricardo Leitão)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Moldes singulares

Caravaca de la Cruz - 2009.


A prova de que não morri. Estou mais vivo do que nunca. Obrigado!

sábado, 13 de junho de 2009

Alguém viu a minha silhueta por aí !?


O tempo corre, esbaforido!
Não há vento que leve, não há vento que traga.
Partículas indistintas boiam como parasitas paralisados na atmosfera abafada do abismo.

Sentença final: condenado.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tu não sabes, tu não sabes.


E tu não sabes se consegues. Não sabes se superas as questões. Não sabes se tens capacidade para confrontar os ângulos. Não sabes se entendes a sombra ou a secção cónica. Não sabes se alguma vez soubeste sobre problemas métricos, sobre rectas bicudas e referenciais de ninguém. Tu não sabes se confias na volúpia do aristo. Não sabes sequer se o monstro do expressionismo alemão se afigura defronte os teus olhos. Não sabes se Almada Negreiros se referia a ti, como possível anti-Dantas! Não sabes se farás parte de um futuro sem passado, cujos espelhos insistem em reflectir presente e só presente! Não sabes se a arquitectura chegou a passar disso, ou se a Grécia de Péricles existiu. Tu não sabes. Tu duvidas do surrealismo, tu duvidas do cubismo, tu duvidas de todos os 'ismos' de vanguarda. Tu duvidas da tua propria respiração, lenta e denunciada ao ritmo da música. Jamais ouses duvidar dessa. Nunca duvides da Música.

(Ricardo Leitão)

sábado, 23 de maio de 2009

(...) E aí tu chegas, olhas, mas não vês.



(...) E aí tu chegas, olhas, mas não vês.


Nunca verás o silêncio que deixei preso por um cordel àquela varanda oitocentista. Nunca verás o seu balançar ao vento, qual balão que uma criança nunca deixou fugir. Nunca verás o brilho nos olhos, que escondo por entre mãos atadas. Nunca verás o sorriso sincero, que eclipso no meio de prédios macambúzios. Nunca verás o meu toque, o meu chão, o meu âmago. E sabes porque nunca os verás?

Nunca os verás porque estão dentro de ti.

domingo, 17 de maio de 2009

Reforma & Vanguarda

(Ago08 - Campos Elísios, Paris)


Criar é absolutamente diferente de construir. Tu podes ter conseguido construir vinte mil casas, sem nunca teres sido capaz de criar um único lar.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Círculo de Fogo


Tinha queimado mais um dia.

Metafísicas as palavras que profiro, sem retorno.

Sufocantes as vozes que ouço, no vazio.

Inúteis os passos que dou, no sargaço.


E eu corro em círculos, eu corro em círculos.

Ricardo Leitão

domingo, 22 de março de 2009

Chão

Não corria a mais leve aragem, quando a cidade se refastelou na porltrona de todos os dias a assistir ao noticiário das oito em ponto - permaneci indiferente ao súbito suspiro rotineiro. Entrei no elevador - deserto. Premi o '0' e preparei-me para o jogo mental que fazia sempre que me encontrava num elevador: debater-me contra a possibilidade de um dia querer sair de um e não ter oportunidade. Lembro-me ainda de me ter cruzado no hall de entrada com a senhora do 1ºD, que de robe às florzinhas e chinelos de quarto do tipo "refugiado de guerra" empunhava a correspondência carrancuda - saí.
Não me lembro de mais nada. Acordei deitado na cama, com a roupa vestida, alagado em suor e com a sensação de que algo de muito estranho acontecera naquela noite. E para não variar, foi no duche que as peças do puzzle se começaram a encaixar - tu estiveras lá. Tu passaras por mim na rua. Tu que me havias seguido para aquela viela. Tu que escutaras os meus gritos abafados pelas árvores daquele jardim. Tu que pararas o baloiço que eu deixei agoniado naquele parque infantil. Tu que conseguiste entender a minha fúria para com o mundo naquela altura em que as centenas de pontos de luz, desenhados por mim no céu, se apagaram. Tu, só tu.

Tu que estiveras sempre presente, na minha ausência.
(...)

Ricardo Leitão